Costela-de-adão (Monstera deliciosa): como cuidar e manter as folhas saudáveis
A costela-de-adão é uma das plantas ornamentais mais cultivadas no Brasil, tanto em ambientes internos quanto em jardins tropicais. Suas folhas grandes, recortadas e de textura firme conferem impacto visual imediato, mas o sucesso no cultivo vai muito além da estética. Entender como cuidar corretamente da costela-de-adão envolve conhecer sua origem, fisiologia, exigências ambientais, nutrição equilibrada e, principalmente, saber prevenir e resolver problemas comuns que afetam folhas e crescimento.
Este artigo foi desenvolvido para quem busca aprendizado real, indo além de dicas superficiais. Aqui, cada seção recebe o mesmo nível de profundidade técnica, com explicações práticas e aplicáveis no dia a dia, tornando o conteúdo uma referência confiável sobre o cultivo da Monstera deliciosa.
Ficha técnica e taxonomia
Nome popular
Costela-de-adão, monstera, banana-do-mato (em algumas regiões)
Nome científico
Monstera deliciosa Liebm.
Família botânica
Araceae
Origem
Florestas tropicais da América Central, especialmente México, Guatemala e Panamá
Tipo de planta
Herbácea perene, trepadeira ou escandente
Porte
Pode ultrapassar 3 metros de altura quando bem conduzida
Características gerais
Planta de crescimento vigoroso, folhas grandes, coriáceas, verdes-escuras, com fenestrações (recortes naturais) que surgem conforme a maturidade da planta. Produz raízes aéreas e pode emitir inflorescências típicas da família Araceae, embora isso seja raro em cultivo doméstico.
Características botânicas e comportamento da planta
A Monstera deliciosa é uma planta adaptada ao sub-bosque de florestas tropicais, onde cresce inicialmente no solo e, à medida que amadurece, passa a escalar troncos de árvores em busca de mais luminosidade. Esse comportamento explica muitos aspectos do seu manejo correto, como a necessidade de tutor, luz filtrada e substrato bem estruturado.
As folhas jovens são inteiras e sem recortes. As fenestrações surgem apenas quando a planta atinge maturidade fisiológica e recebe condições adequadas de luz, nutrição e espaço radicular. A ausência de recortes em plantas adultas geralmente indica algum desequilíbrio no cultivo.
Condições ideais de cultivo
Luminosidade adequada
A luminosidade é um dos fatores mais determinantes para manter folhas saudáveis e bem formadas.
A costela-de-adão prefere luz indireta intensa, semelhante àquela encontrada sob copas de árvores tropicais. Sol direto, especialmente nas horas mais quentes do dia, pode causar queimaduras, manchas amareladas e ressecamento das bordas das folhas.
Em ambientes internos, o ideal é posicionar a planta próxima a janelas bem iluminadas, com cortinas leves filtrando a luz. Em áreas externas, deve ser cultivada sob meia-sombra.
Sinais de luz inadequada incluem:
-
Folhas pequenas e sem recortes (pouca luz)
-
Crescimento lento e entrenós longos
-
Manchas marrons ou amareladas (excesso de sol direto)
Temperatura e clima
Por ser uma planta tropical, a Monstera deliciosa se desenvolve melhor em temperaturas entre 18 °C e 30 °C. Não tolera geadas nem frio intenso prolongado.
Ambientes muito frios reduzem o metabolismo da planta, comprometendo crescimento e absorção de nutrientes. Já temperaturas elevadas exigem maior atenção à irrigação e umidade do ar.
Umidade do ar
A umidade relativa do ar ideal situa-se acima de 60%. Em locais muito secos, as folhas podem apresentar pontas ressecadas e aspecto opaco.
Medidas práticas incluem:
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Pulverizações leves nas folhas, evitando excesso
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Uso de bandejas com água e pedras próximas à planta
-
Agrupamento de plantas para criar microclima mais úmido
Substrato correto e preparo do solo
O substrato da costela-de-adão precisa equilibrar retenção de umidade, boa drenagem e aeração. Solos compactados ou encharcados favorecem doenças radiculares.
Uma composição funcional inclui:
-
Terra vegetal de boa qualidade
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Matéria orgânica bem curtida
-
Componentes drenantes, como areia grossa, perlita ou casca de pinus
O pH ideal é levemente ácido a neutro. Substratos muito pobres ou excessivamente argilosos prejudicam o desenvolvimento radicular e refletem diretamente na saúde das folhas.
Rega: equilíbrio é fundamental
A irrigação deve ser feita de forma regular, porém sem encharcamento. O solo deve permanecer levemente úmido, nunca saturado.
O critério mais seguro é verificar a camada superficial do substrato. Quando os primeiros centímetros estiverem secos ao toque, é o momento de regar novamente.
Erros comuns na rega incluem:
-
Rega excessiva, levando ao apodrecimento das raízes
-
Longos períodos de seca, causando murcha e bordas secas nas folhas
A frequência varia conforme clima, estação do ano, tamanho do vaso e tipo de substrato.
Nutrição e adubação da costela-de-adão
A adubação correta é decisiva para manter folhas grandes, verdes e bem recortadas.
Nutrientes essenciais
-
Nitrogênio (N): estimula crescimento vegetativo e coloração verde intensa
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Fósforo (P): favorece desenvolvimento radicular
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Potássio (K): fortalece tecidos e aumenta resistência a estresses
Formulações recomendadas
Durante o crescimento ativo (primavera e verão), pode-se utilizar NPK equilibrado, como 10-10-10 ou 20-20-20, aplicado a cada 30 a 45 dias, conforme recomendação do fabricante.
No outono e inverno, a adubação deve ser reduzida, respeitando o ritmo mais lento da planta.
Alternativas orgânicas
Adubos orgânicos não excluem os minerais e podem ser usados de forma complementar:
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Húmus de minhoca
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Bokashi
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Compostos orgânicos bem curtidos
Esses materiais melhoram a estrutura do substrato e fornecem nutrientes de liberação gradual.
Poda, condução e tutoramento
A poda da costela-de-adão é simples, mas estratégica. Remove-se folhas velhas, amareladas ou danificadas para estimular a brotação saudável.
O tutoramento é essencial para plantas adultas. O uso de estacas, tutores de fibra de coco ou troncos naturais ajuda a planta a expressar seu crescimento natural, favorecendo folhas maiores e mais recortadas.
Raízes aéreas não devem ser removidas indiscriminadamente, pois auxiliam na fixação e absorção de umidade.
Cultivo em vasos e em jardins
Em vasos
Vasos devem ser robustos e proporcionais ao tamanho da planta. O crescimento radicular intenso exige espaço, e vasos pequenos limitam o desenvolvimento aéreo.
A troca de vaso é recomendada a cada 2 ou 3 anos, sempre observando sinais de raízes muito compactadas.
Em jardins
Em regiões de clima quente, a costela-de-adão pode ser cultivada diretamente no solo, desde que haja sombra parcial e solo bem drenado. Nesse caso, o crescimento tende a ser mais vigoroso.
Pragas e doenças mais comuns
Pragas
Cochonilhas (Coccoidea)
Provocam enfraquecimento da planta e presença de substância pegajosa nas folhas.
Controle caseiro: aplicação de solução de água com sabão neutro ou óleo de neem.
Pulgões (Aphididae)
Atacam brotações novas e folhas jovens.
Controle: extrato de alho ou óleo vegetal diluído.
Ácaros (Tetranychus spp.)
Causam pontuações amareladas e aspecto opaco.
Prevenção: manter boa umidade do ar e folhas limpas.
Doenças
Podridão radicular
Causada por fungos associados ao excesso de água.
Prevenção: substrato drenante e regas controladas.
Manchas foliares fúngicas
Associadas a alta umidade e baixa ventilação.
Controle: remoção de folhas afetadas e ajuste do ambiente.
Problemas fisiológicos comuns
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Folhas sem recortes: falta de luz ou nutrição inadequada
-
Bordas marrons: baixa umidade ou excesso de sais no substrato
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Folhas amareladas: rega excessiva ou deficiência nutricional
Entender esses sinais evita intervenções equivocadas.
Curiosidades sobre a costela-de-adão
O nome Monstera vem do latim monstrum, fazendo referência às folhas grandes e recortadas. Em ambiente natural, a planta pode produzir frutos comestíveis quando madura, o que raramente ocorre em cultivo doméstico.
Perguntas e respostas sobre costela-de-adão
Costela-de-adão gosta de sol direto?
Não. Prefere luz indireta intensa.
Por que minha costela-de-adão não forma recortes?
Geralmente por falta de luz ou nutrição inadequada.
Pode cortar raízes aéreas?
Somente se estiverem secas ou danificadas.
Com que frequência devo adubar?
Durante o crescimento ativo, a cada 30 a 45 dias.
É tóxica para animais?
Sim. Contém oxalato de cálcio, devendo ficar fora do alcance de pets.
Considerações finais
Saber como cuidar da costela-de-adão exige atenção aos detalhes e compreensão do comportamento natural da planta. Quando cultivada sob condições adequadas de luz, água, nutrição e manejo, a Monstera deliciosa responde com folhas saudáveis, crescimento equilibrado e presença marcante no ambiente.
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